Uma discussão urgente e necessária sobre a luta das mulheres e o combate ao feminicídio. Assim foi a palestra conduzida pela ex-candidata à presidência da República e dirigente nacional do PSTU, Vera Lúcia, na noite desta quinta-feira (5), na sede do Sindicato.
O evento integra as atividades preparatórias para o 14º Congresso dos Metalúrgicos, que ocorre nos dias 27, 28 e 29 de março, em Caraguatatuba.
Durante sua exposição, Vera abordou a forma como o sistema capitalista se utiliza das opressões para dividir a classe trabalhadora e superexplorar as mulheres.
Ela fez uma fala contundente sobre a escalada da violência contra a mulher no Brasil e no mundo, destacando que os crimes não são obra do acaso. "O feminicídio, o crime que o homem pratica contra a mulher, ele não é acidental", declarou Vera, explicando que a mulher assassinada geralmente já passou por um longo processo prévio de violência, humilhação e controle.
Vera também teceu duras críticas à falta de investimento do governo federal em políticas públicas efetivas para proteger as mulheres. "São 11 centavos por mulher, os recursos que a União destinou pro combate à violência à mulher. Ou seja, não tem combate à violência à mulher porque você não constrói, não tem delegacias 24 horas, você não tem casas abrigo suficientes", denunciou.
O papel dos homens
Um dos temas debatidos na plenária foi a responsabilidade dos homens no combate ao machismo.
O presidente do Sindicato, Weller Gonçalves, destacou que a categoria metalúrgica é composta majoritariamente por homens (com a presença feminina nas fábricas em cerca de 17%), o que torna essencial direcionar o diálogo a eles. "A luta das mulheres é a luta da classe trabalhadora", afirmou Weller, ressaltando que o 14º Congresso, debaterá a precarização e o combate às opressões na sociedade.
Jornada 6x1
Para além da pauta da violência, Vera Lúcia conectou a opressão de gênero à exploração econômica, rebatendo as recentes declarações do governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em defesa da escala 6x1.
Ela pontuou que a jornada extenuante pune duplamente as mulheres, que perdem seu único dia de descanso para realizar todo o trabalho doméstico acumulado. "A escala 6x1 é uma coisa que só se explica pela necessidade que o capitalismo tem de lucrar avidamente e de explorar até a última gota de sangue da classe trabalhadora", afirmou.
"Nesse 8 de março, celebramos a força, a resistência e a conquista de todas as mulheres. Mas além de flores, reafirmamos nossa luta por respeito e pela vida", afirmou a diretora do Sindicato Maria Cibeli, que conduziu a atividade com a colega Fatima Sousa.